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20 Abril
Belém
Alunos desenvolvem pesquisa sobre descarte domiciliar de medicamentos em Belém
Autor: Marcella Kelly

Os acadêmicos do curso de Farmácia do campus Alcindo Cacela que compõem o Grupo de Iniciação Científica, estão desenvolvendo uma pesquisa online sobre Descarte Domiciliar de Medicamentos. O projeto tem como objetivo analisar como o descarte domiciliar de medicamentos é realizado pela população na região metropolitana de Belém/PA.

O link do formulário eletrônico está sendo compartilhado nas redes sociais para o devido preenchimento, que é simples e rápido. Se você é morador de Belém e região metropolitana basta clicar no link para participar da pesquisa. Não precisa de nenhum cadastro, apenas responder as pergunta postadas no formulário eletrônico.

O link funciona em celulares, tablet ou computador e são só alguns segundos para participar.

Já respondeu??!! Agora compartilha para que seus amigos também possam participar. O Grupo de Iniciação Científica agradece.

 

SAIBA MAIS SOBRE OS IMPACTOS DO DESCARTE INCORRETO.

O descarte de medicamentos, apesar de ser um tema extremamente importante, ainda é, infelizmente, desconhecido pela maioria da sociedade, que não imagina a gravidade que esses resíduos químicos podem trazer ao meio ambiente. Por conter substâncias que comprometem o ecossistema, os fármacos devem ser incinerados e não jogados no lixo comum, rios ou esgotos, para que não comprometa o solo e os lençóis freáticos. Essa responsabilidade, segundo a RDC nº 306/2004 da ANVISA, cabe aos estabelecimentos de saúde que manejam tais produtos. Recentemente, a lei municipal Nº 9.268 sancionada em 13 de Janeiro de 2017, impõe que estabelecimentos de saúde disponibilizem recipientes adequados para o descarte de medicamentos vencidos ou em desuso. No Artigo 5º, da referida lei, fica proibido que o destino de tais medicamentos, especificamente domiciliares, seja descartado em locais como: corpos d’água; céu aberto; terrenos baldios; poços; esgoto, dentre outros. Entretanto essa lei é desconhecida por grande parte da população, devido à falta de divulgação por parte do Ministério Público e estabelecimentos de saúde.

Graças à facilidade de acesso aos medicamentos por parte da população, e à cultura da automedicação, o lixo farmacêutico tornou-se um problema gravíssimo, capaz de afetar excessiva e negativamente o ecossistema e, muitas pessoas, acreditam não ser responsáveis pela realização da prática correta de descarte.

O despejo inadequado de medicamentos em resíduos domiciliares pode gerar diversos distúrbios no ecossistema, principalmente se tais resíduos forem descartados em locais onde o destino final sejam os lixões a céu aberto, pois dessa maneira os impactos atingem diretamente pessoas que trabalham ou residem próximo ao local do despejo como, por exemplo, os catadores que retiram seu sustento dos produtos presentes nos lixões. Em Belém é muito comum que o lixo domiciliar seja depositado em sacolas plásticas, que muitas vezes ficam expostas nas ruas da cidade até a coleta, formando monturos capazes de atrair insetos e roedores, expondo assim diversos malefícios para a saúde de qualquer pessoa que entre e contato com tais resíduos.

Medicamentos que estiverem presentes em corpos d’água são capazes de causar danos não apenas às espécies marinhas, mas também a diversas espécies que interagem com a mesma. Outros animais como mamíferos, répteis e aves também estão relacionados com problemas vinculados ao descarte de medicamentos em corpos d’água, que incluem a diminuição da eclosão de ovos, problemas em sistemas reprodutivos e alterações imunológicas (Billa & Dezotti, 2017; Aquino, Brandt & Chernicharo, 2013).

Além de perturbações hormonais, há também uma preocupação elevada com relação à resistência bacteriana relacionada ao descarte de antibióticos em águas residuais, aumentando a possibilidade de que bactérias presentes em ecossistemas aquáticos possam adquirir maior resistência e, até mesmo, abrigar patógenos que confiram riscos à saúde (Da Silva, 2015; Medeiros, Moreira & Lopes, 2014). De acordo com estudos realizados, encontram-se em ambientes aquáticos os seguintes fármacos: anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) (16%), antibióticos (15%), reguladores lipídicos (12%) e hormônios  sintéticos (9%) (Aquino, Brandt & Chernicharo, 2013).

Portanto, fica absolutamente claro que os problemas socioambientais, oriundos do descarte inadequado de fármacos no ecossistema, só poderão ser resolvidos mediante ações diversas, capazes de mobilizar a sociedade em geral sobre a urgente importância de realizar o descarte consciente de medicamentos, pois, dessa maneira, estaremos protegendo não apenas nossa saúde, como também a saúde de todo o meio ambiente.

 

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